Reflexões no Templo II

"Na visão Tantrica cada um dos Chakras representa um nível de consciência [...]
ou seja uma visão do mundo que reflete um aspecto da indivídualidade"


Na visão Tantrica cada um dos Chakras representa um nível de consciência que inclui e transcende o anterior. Ocorre que quando num nível mais básico não conseguimos reconhecer a existência dos demais níveis e, por isso, somos levados a pensar que a perspectiva do mundo, oferecida por aquele grau de consciência, é a correta ou a melhor.

O ser humano verá sempre o mundo através da estrutura com a qual ele está identificado no momento (Muladhara, Svadhisthana, etc.) e os princípios limitadores básicos daquela dimensão governarão o que sente e o que pode ver, dessa posição. O crescimento implicará em abrir mão de níveis de percepção mais estreitos e superficiais em favor de uma expansão para formas mais amplas, profundas e elevadas.

Essa compreensão começa a se modificar no nível do Vishuddha, pois aí já se inicia a percepção da totalidade e se percebe o papel primordial que os diversos níveis desempenham. É neste nível que se passa da visão pluralista para a visão unicista.

Deste ponto de vista podemos afirmar que a noção do “eu” se inicia noMuladhara Chakras, na infância, quando a criança ainda não aprendeu regras e papéis convencionais ou ainda não foi socializada e permanece egocêntrica. Nos níveis de consciência subseqüentes (Svadhisthana, Manipura, etc.) dá-se um declínio do egocentrismo e aumento da capacidade de considerar perspectivas mais profundas.

Ao chegar ao nível do Manipura, designado de “noção do eu”, solidifica-se o domínio egocêntrico, que agora se traduz na prática, no dia a dia. Nesta fase estamos muito interessados nos nossos direitos e pouco nas nossas obrigações.

No estágio do Anahata começa a dispersão desse sentimento e a se desenvolver lentamente o sentimento de grupo (não sou eu, mas sim nós).

À medida que este desenvolvimento acontece e chega-se ao nível doVishuddha o egocentrismo diminui de forma lenta e segura. Agora, ao invés de tratar o mundo como uma extensão de si próprio, o indivíduo passa a aceitar as condições do mundo no seu encontro com ele e assim, progressivamente, vai expandindo do “eu” para o “nós” até chegar ao “todos nós”, possibilitando uma abertura para uma abrangência total.

A nossa dificuldade é que às vezes ficamos presos nesses níveis anteriores e tornamo-nos incapazes de crescer e evoluir rumo à consciência ou, em outras palavras, rumo à vivência da unicidade (o todo em um).

Cada um desses níveis de consciência tem necessidades básicas e uma visão de vida e de si mesmo peculiar a este estágio.

O Ser humano precisa experimentar plenamente um determinado estágio até ficar saciado e, somente então, estará pronto para seguir para as outras etapas.

É bom frisar que, para que haja a troca de nível vertical de consciência, uma certa tensão se estabelece no indivíduo pois o novo nível luta para emergir e se fixar enquanto que o outro luta para permanecer ativo gerando por isso conflitos que afloram como irritação, agitação, frustração.
Estas sensações são necessárias para gerar uma profunda insatisfação com o nível que se quer superar e mobilizar a energia para uma nova visão da vida que vai se estabelecer no nível de consciência seguinte.

Cada um destes níveis de consciência tem funções importantes; todas elas são levadas para os níveis posteriores e neles incluídas; nenhum nível pode ser contornado ou depreciado sem graves conseqüências para se atingir o equilíbrio da personalidade.

É essencial esclarecer que não existe apenas, ou somente, um nível de realidade, como por exemplo, o nível do Ajna Chakra, e que todas as outras perspectivas (Muladhara, etc) constituem interpretações incorretas e irrelevantes desse mesmo nível (Ajna). Cada uma dessas visões reflete um aspecto necessário da individualidade, e não uma perspectiva incorreta de um único nível verdadeiro.

 

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