Os Simbolismos dos Elementos dos Chakras

"Nos Tantras fala-se da Criação como a Mãe, Shakti que, tendo por morada o Sahasrara Cakra, desce pela Susumna Nadi estabelecendo, no Ajna Cakra, o Antah-Karana ... e assim, sempre como na criação total,
“Ela” vem criando do elemento mais sutil ao mais grosseiro. "

Paulo Murilo  

  

Assim como no processo da criação total, Maya-Sakti (o poder da criação) cria os cinco elementos começando pelo mais sutil: Akasa, Vayu, Tejas, Apah, Prthivi; sendo estes constituídos das três Gunas (Sattva, Rajas e Tamas).

- O aspecto Sattva dos cinco elementos origina os cinco órgãos de Percepção (ouvido, pele, olhos, língua, nariz) e o Antah Karana.

- O aspecto Rajas dos cinco elementos origina os cinco órgãos de Ação (fala, mãos, pés, ânus, órgãos genitais) e o Prana.

- O aspecto Tamas, com os elementos sofrendo um processo de divisão e combinação entre si, origina os cinco elementos grossificados (tangíveis) que constituem o mundo físico.

Nos Tantras fala-se da Criação como a Mãe, Shakti que, tendo por morada o Sahasrara Cakra, desce pela Susumna Nadi estabelecendo, no Ajna Cakra, o Antah-Karana, que compreende:

1. Manas = Mente, capacidade de oscilação.

2. Buddhi = Intelecto, capacidade de volição.

3. Ahankara = Ego.

4. Cittam = Memória.

e assim, sempre como na criação total, “Ela” vem criando do elemento mais sutil ao mais grosseiro.

Depois do Ajna Cakra, “Ela” vai para o Visuddha, representado pelo elemento Akasa (espaço) que está relacionado com as qualidades eternas e imortais que sustentam todas as formas manifestadas; então, para o Anahata, centro do elemento Vayu (ar), relacionado com a atividade, que é ilimitado e compartilhado por todos; daí, para o Manipura, centro do elemento Tejas (fogo), relacionado à impetuosidade, a mudanças, à expansão e à paixão; depois, para o Svadhisthana, centro de Apah (água), relacionado à reflexão, ao movimento, ao fluxo e à profundidade e, daí, para o Muladhara, centro de Prthivi (terra), que está relacionado ao aspecto prático, à sobrevivência, à organização e à estrutura. A terra é fértil mas custa a mudar. Aí, no Muladhara Cakra, “Ela” descansou enroscada no Svayambhu Linga.

Este caminho percorrido pela Shakti é chamado de Srsti Krama, o Caminho da Criação.

1º Ajna (Mando)
Neste Cakra já não existe mais elemento, nem animal alegórico, pois neste estágio, não há mais feras a combater, nem elementos materiais herdados da idade da pedra.
A mandala do Cakra guarda em si mesma um simbolismo profundo: o círculo representa o vazio e as duas pétalas, uma de cada lado, nos lembram a dualidade primordial que se origina do estado unificado 

  

2º Visuddha (Grande Pureza)
O elemento Akasa (espaço) é representado por um círculo de cor branca e esta região é chamada “O portal da grande liberação”. O bija mantra é HAM.
Este elemento simboliza aquilo ou aquele que não tem limites; dito de outra forma, o ilimitado.
O espaço representa também o vazio que é um estado de existência pura, a origem e o ponto de retorno da manifestação.
Uma característica interessante deste elemento é que ele é presidido pelo Sr. Ardhanarisvara (uma deidade que, do lado direito, tem a forma de um homem e representa Siva, e, do lado esquerdo, a forma de uma mulher e representa Shakti).

3º Anahata (Som místico)
O elemento Vayu (ar) é representado por um Hexagrama (estrela de seis pontas) de cor vermelho dourado e seu bija mantra é YAM, pousado sobre um antílope negro (representando a ligeireza do elemento).
Este elemento tem relação com a força do movimento da realidade física (tangível), e com os sistemas sangüíneo e respiratório.
É dito na Índia que Vayu (ar) simboliza o “Sopro da Vida” adornado com os desejos, misturado com as ações de um passado sem fim e unido à noção de individualidade.

4º Manipura (Cidade Jóia)
O elemento Tejas (fogo) é representado por um triângulo brilhante como o Sol nascente de cor vermelha. Seu bija mantra é RAM no vértice da suástica.
O fogo simboliza a transformação, a luz que se opõe à escuridão (a luz do conhecimento que se opõe à escuridão da ignorância), a força de expansão da realidade física.
É nesta região que se dá a queima dos alimentos e sua transformação em energia física e sutil.
O elemento fogo do Manipura se relaciona com o elemento água do Svadhisthana, pelo qual é contido, e com o ar do Anahata, que permite sua expansão.

5º Svadhisthana (Suporte do Sopro da Vida)
O elemento Apah (água) é representado pela Lua em quarto crescente e sua cor é branca. O bija mantra é VAM.
É um elemento poderoso e que precisa ser bem canalizado para poder ser bem aproveitado. Não deve ser contido pois sua reação poderá ser incontrolável.
A água simboliza a energia da vida e, por conseguinte, a consciência do mundo como lugar de luta e objeto de conquista, e o poder de reação ante todos os obstáculos.
A água representa também o líquido seminal e, por conseguinte, a criatividade no sentido material, a possessividade e a vitalidade física.
É interessante lembrar que a água simboliza a purificação e a eliminação das imperfeições, sendo utilizada, até hoje, na iniciação de diversas religiões, e que a Lua, com sua face eternamente oculta, é um símbolo significativo do inconsciente coletivo e das profundezas encobertas da mente subconsciente.

6º Muladhara (Centro Básico)
O elemento Prthivi (terra) é representado por um quadrado de cor amarelo ocre e seu bija mantra é LAM (som que constitui a essência do elemento terra).
Este elemento se relaciona com a consciência da realidade da matéria, com a vontade de ser e existir e com a profunda natureza espiritual oculta na materialidade do mundo.
A terra simboliza o sentido prático da vida, o pé no chão, os projetos realizáveis. 

Para que se tenha uma idéia mais precisa da relação entre os Cakras e os aspectos da personalidade, podemos observar, por exemplo,  

Estados de consciência de um enamorado
Relacionados com os elementos dos Cakras

1º Terra (Muladhara)
Sentido de possessão material do ser amado com um prazer profundo no gozo do ser minha ou meu.

2º Água (Svadhisthana)
Impulso sexual e a necessidade de exercer um domínio sobre o ser amado.

3º Fogo (Manipura)
Consciência sensual e sentimental que levará a gozar o aspecto físico do ser amado.

4º Ar (Anahata)
Dará ao amor características de um afeto nobre, sereno, alegre e generoso; é chamado de amor romântico.

5º Espaço (Visuddha)
Enriquece os estados anteriores, enchendo-os de emoção pura e criativa, e faz da relação amorosa um bálsamo renovador para o ser amado.

6º Mente (Ajna)
Percebe-se o amor e tem-se consciência dele nos vários níveis descritos, localizando-os nos centros respectivos; como conseqüência, há a compreensão e a vivência do nível do amor que se está sentindo.

 

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